2020 e o carnaval de rua de São Paulo

Neste ano, o carnaval de rua de São Paulo atingiu números recordes e reivindicou para si o título do maior, senão um dos maiores, carnavais de rua do Brasil.

Mas nem sempre foi assim, no início desse século, São Paulo contabilizava os recursos que deixavam de circular na economia da cidade e os milhões de veículos que iriam deixar a capital durante o feriado.

Essa história começou a mudar entre 2012 e 2013, quando o Manifesto Carnavalista, um grupo organizado de carnavalescos, encontrou escuta na Secretaria de Cultura da cidade com Juca Ferreira então Secretário, e Guilherme Varella seu chefe de Gabinete, na gestão de Fernando Haddad como prefeito da capital.

No seu primeiro ano, em 2013, a garantia do direito à folia alcançou cerca de 50 blocos de carnaval e algumas centenas de foliões. Desde então, os números cresceram vertiginosamente.

Com Alê Youssef, fundador do Baixo Augusta, no como Secretario de Cultura da capital, a Prefeitura anunciou um crescimento de 38,5% em relação ao carnaval de 2019. Foram 678 desfiles autorizados, distribuídos em 468 pontos da cidade e que, de acordo com projeções dos blocos, atraíram 15 milhões de pessoas, 1 milhão a mais que no ano anterior.

Além do crescimento exponencial de foliões, o ethos da festa encontrou, nos últimos anos, um espírito político e catártico contra a necropolítica vigente. Entre uma marchinha e outra o público entoava palavras de ordem e letras carnavalescas com crítica política, que transformavam a atmosfera, mesmo que por um instante, em uma experiência de resistência.

As fotos são dos cortejos da Fanfarra Apogeu 90, do Bloco Carimbolando, d’A Espetacular Charanga do França, dos Filhos da Santa e da xepa dos bloquinhos que ocupou a esquina da Martim Francisco com a Canuto do Val.